AutoNews: Silverado sem motorista, Renault híbrida nacional e Alpine inspirada na F1 mostram o futuro dos carros

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AutoNews: Silverado sem motorista, Renault híbrida nacional e Alpine inspirada na F1 mostram o futuro dos carros

AutoNews: Silverado sem motorista, Renault híbrida nacional e Alpine inspirada na F1 mostram o futuro dos carros

A indústria automotiva está avançando em diferentes frentes. Enquanto a General Motors adapta uma Chevrolet Silverado para missões militares sem motorista, a Renault recebe financiamento para desenvolver tecnologia híbrida no Brasil. Na Europa, a Alpine resgata um cupê clássico com soluções aerodinâmicas inspiradas na Fórmula 1. Três projetos distintos que mostram como as fabricantes aproveitam novas tecnologias para atender a objetivos muito diferentes.

Chevrolet Silverado perde a cabine e vira veículo militar autônomo

A GM Defense, divisão de defesa da General Motors, apresentou um protótipo militar baseado na Chevrolet Silverado 3500HD. O veículo elimina completamente a cabine e o espaço destinado ao motorista, transformando a picape pesada em uma plataforma autônoma para operações logísticas do Exército dos Estados Unidos.

A estrutura utiliza um chassi com rodas traseiras duplas e sistema de controle eletrônico drive-by-wire, que permite comandar os movimentos do veículo sem uma conexão mecânica convencional. O conjunto de armazenamento de energia tem capacidade de 100 kWh, e a plataforma foi projetada para transportar até 3.629 kg de carga útil.

O objetivo não é priorizar o combate direto, mas executar tarefas perigosas sem expor soldados a riscos desnecessários. Entre as aplicações previstas estão o transporte de suprimentos e a evacuação de feridos em áreas de conflito. O funcionamento elétrico também pode reduzir o ruído durante determinadas operações.

A condução autônoma utiliza o Gx Ground Agent, sistema de inteligência artificial desenvolvido pela Scout AI. A plataforma ainda permite a instalação de diferentes equipamentos. Na apresentação, a GM Defense exibiu o veículo com o laser antidrones LOCUST X3 e sensores acústicos capazes de detectar ameaças aéreas.

A fabricante pretende entregar os primeiros exemplares para testes operacionais até junho de 2027. O projeto integra uma estratégia mais ampla de aproveitamento de plataformas comerciais em aplicações militares, reduzindo a necessidade de desenvolver veículos inteiramente novos.

Renault recebe R$ 181,8 milhões para desenvolver híbrido no Brasil

A Renault Geely do Brasil recebeu aprovação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para um financiamento de R$ 181,8 milhões destinado ao desenvolvimento de uma nova tecnologia de propulsão híbrida. O projeto será conduzido no Complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais, no Paraná.

O sistema será aplicado em uma futura versão eletrificada de um veículo produzido no país, com lançamento previsto para 2027. A Renault ainda não revelou qual modelo receberá a tecnologia, mas já confirmou o desenvolvimento de um conjunto híbrido flex com tração integral para o mercado brasileiro.

A tecnologia prevista combina um motor 1.3 turbo flex no eixo dianteiro com um motor elétrico de 31 cv e 8,9 kgfm no eixo traseiro. Essa configuração permite distribuir a propulsão entre os dois eixos sem depender de um eixo cardã convencional.

O SUV Boreal e a futura picape Niagara estão entre os candidatos a receber o sistema, mas a fabricante ainda não confirmou oficialmente a aplicação em nenhum deles.

O financiamento faz parte do ciclo de investimentos de R$ 5,8 bilhões anunciado pela Renault para o Brasil entre 2025 e 2027. O programa BNDES Mais Inovação utiliza recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para apoiar projetos de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e digitalização.

Além de ampliar a eletrificação da linha nacional, o investimento fortalece a engenharia local e a adaptação de tecnologias às características do mercado brasileiro, especialmente o uso de etanol.

Alpine A310 Vision resgata cupê clássico com aerodinâmica de Fórmula 1

A Alpine apresentou o A310 Vision no Salão de Paris de 2026 para celebrar a história do A310 original, lançado em 1971. O conceito recupera a silhueta baixa e as formas geométricas do cupê clássico, mas incorpora soluções técnicas desenvolvidas para antecipar a próxima geração de esportivos da marca francesa.

O projeto combina referências da primeira versão do A310 com elementos da variante V6, conhecida pelos para-lamas mais largos. O resultado é um cupê de 4,55 metros de comprimento, 2,03 metros de largura e apenas 1,18 metro de altura, com uma postura próxima ao solo e proporções voltadas ao desempenho.

A principal novidade está na arquitetura modular APP, logo, desenvolvida para servir de base aos futuros esportivos da Alpine. A estrutura utiliza uma carroceria de alumínio e permite explorar soluções aerodinâmicas mais elaboradas.

Entre os destaques está um duto em formato de S no capô, projetado para conduzir o fluxo de ar em direção ao teto. O assoalho também recebe atenção especial para controlar o fluxo sob a carroceria e aumentar a pressão aerodinâmica sobre o veículo.

O conceito apresenta ainda faróis ocultos que se revelam na hora de ligar o carro, rodas com desenhos que remetem à letra A e um aerofólio traseiro dividido em duas seções translúcidas. As soluções ajudam a demonstrar como a Alpine pretende combinar identidade visual e eficiência aerodinâmica.


A Alpine ainda não confirmou se produzirá o A310 Vision exatamente como apresentou o conceito. O protótipo funciona principalmente como um laboratório para testar a arquitetura e as possibilidades de design dos próximos modelos da marca.

Três projetos, três objetivos diferentes

Os três lançamentos mostram que a inovação automotiva vai muito além da eletrificação. A Silverado autônoma aplica inteligência artificial e controles eletrônicos para reduzir riscos em missões militares. A Renault investe em uma solução híbrida flex desenvolvida no Brasil, enquanto a Alpine usa um modelo histórico para explorar novas possibilidades estruturais e aerodinâmicas.

Cada projeto atende a uma necessidade específica, mas todos demonstram como as fabricantes procuram aproveitar tecnologias emergentes sem abandonar completamente suas bases industriais e identidades. Por fim, seja em operações militares, no uso cotidiano ou em esportivos de alto desempenho, o futuro dos automóveis será definido pela combinação entre engenharia, eficiência e novas formas de utilização.