A indústria automotiva pode explorar caminhos completamente diferentes para apresentar seus produtos. Enquanto a Lexus transformou dois SUVs em esculturas que desafiam qualquer possibilidade de uso nas ruas, a GAC prepara uma etapa mais prática de sua expansão internacional, com a montagem de veículos elétricos em Goiás.
De um lado, RZ 450e e RX 450h+ abandonam suas funções originais para virar arte. Do outro, o Aion UT será o primeiro modelo da GAC montado pela HPE no Brasil.
Lexus leva SUVs para o mundo da arte
A Lexus se uniu ao coletivo artístico MSCHF, do Brooklyn, para criar duas esculturas inspiradas em modelos da marca. As obras fazem parte da exposição MOTOMORPHOSIS, realizada em Nova York.
O projeto parte de uma ideia comum em softwares de modelagem e animação 3D: deformar, torcer e alongar objetos sem respeitar as limitações físicas do mundo real.
Logo, a proposta foi justamente levar esse conceito para o mundo físico, usando o RZ 450e e o RX 450h+ como referências.
RZ 450e vira uma escultura circular
A primeira criação recebeu o nome de Circle Car e toma como base o Lexus RZ 450e, SUV elétrico da marca.
Os artistas deformaram a carroceria até aproximar a dianteira da traseira e criar uma estrutura praticamente circular. O resultado parece um carro preso em um movimento infinito, mas não possui qualquer função prática de condução.

Assim, a Lexus também colocou um RZ 450e convencional ao lado da escultura para deixar clara a transformação entre o veículo de produção e sua interpretação artística.
RX 450h+ ganha formato retorcido
A segunda obra, chamada Twisted Car, utiliza o RX 450h+ como inspiração. Nesse caso, o coletivo deformou a carroceria longitudinalmente, criando uma aparência de SUV torcido em sentidos opostos.

Mesmo com a distorção extrema, elementos como a identificação do modelo e componentes visuais da Lexus permitem reconhecer a origem do projeto.
A fabricante classifica as peças como duplicatas escultóricas, e não como veículos de produção modificados. Assim, os artistas puderam reproduzir características reais dos modelos sem comprometer exemplares funcionais.
Arte que não pode chegar às ruas
Apesar de utilizarem referências e componentes genuínos da Lexus, as esculturas não foram desenvolvidas para circular.
A própria fabricante alerta que peças não produzidas por ela podem comprometer aspectos de segurança, garantia e conformidade necessária para circulação em vias públicas.
A exposição aconteceu no Chelsea Industrial, em Nova York, entre os dias 24 e 26 de setembro, com entrada gratuita mediante inscrição antecipada.
GAC prepara produção em Goiás
Enquanto a Lexus experimenta os limites da forma, a GAC avança em uma estratégia industrial no Brasil.
A chinesa fechou acordo com a HPE para montar seus veículos em Goiás. O objetivo também passa por reduzir o impacto dos impostos de importação e estabelecer uma operação produtiva no país.

A previsão é iniciar a produção entre o fim de 2026 e o começo de 2027. O Aion UT será o primeiro modelo da marca a entrar na linha de montagem brasileira.
Aion UT será montado em regime SKD
O hatch elétrico começará a ser produzido em regime SKD, utilizando kits semidesmontados enviados da China para a unidade da HPE em Goiás.
Antes da produção regular, a empresa utilizará unidades pré-série para testar a linha, e assim verificar o ferramental e treinar os funcionários responsáveis pela montagem.
A operação será independente da produção da Mitsubishi na planta de Catalão. Segundo a HPE, a intenção é evoluir para um processo completo de produção depois de aproximadamente um ano.
Elétrico mira a faixa de R$ 140 mil a R$ 160 mil
O Aion UT ocupa a categoria dos hatches compactos elétricos e chega para disputar espaço com modelos como BYD Dolphin e Geely EX2.

No Brasil, o modelo trabalha na faixa de R$ 140 mil a R$ 160 mil. A fabricação local pode ajudar a GAC a tornar sua operação mais competitiva e reduzir a dependência das importações completas.
GAC já pensa nos próximos modelos
O Aion UT não deve ficar sozinho na linha brasileira. A HPE confirmou que pretende produzir também um modelo híbrido, embora ainda não tenha revelado oficialmente qual será o veículo.
Entre as possibilidades está o novo GAC GS4 em configuração híbrida plug-in. A empresa também trabalha na adaptação da tecnologia para combustível flex, o que pode ampliar a adequação dos futuros modelos às características do mercado brasileiro.
Dois caminhos para reinventar o automóvel
Lexus e GAC mostram duas formas completamente diferentes de explorar o futuro do automóvel.
A Lexus utiliza modelos conhecidos para questionar os limites entre carro, design e arte. O resultado não precisa funcionar nas ruas: basta provocar uma nova percepção sobre as formas que normalmente passam despercebidas em um veículo convencional.
A GAC segue uma direção mais industrial. Ao levar a montagem do Aion UT para Goiás, a marca transforma sua expansão no Brasil em um projeto de produção local, com planos de ampliar a operação para novos modelos e tecnologias.
Enquanto uma fabricante distorce seus SUVs para descobrir novas formas, a outra adapta seus carros para conquistar espaço em um novo mercado. Por fim, em ambos os casos, o automóvel deixa de ser apenas um produto pronto e passa a funcionar como ponto de partida para novas possibilidades.
