A indústria automotiva segue avançando em direções bastante diferentes. Enquanto a Renault prepara um novo SUV cupê para produção nacional, aproveitando a tecnologia da Geely, a Ferrari desenvolveu uma versão ainda mais extrema da 296 para clientes que buscam desempenho exclusivo em circuitos.
Novo Renault Arkana será produzido no Brasil
A Renault prepara uma nova geração do Arkana para o mercado brasileiro. O SUV cupê deve começar a ser produzido em 2027 no Complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais, no Paraná.
O projeto será baseado na plataforma GEA, arquitetura desenvolvida pela Geely e utilizada pelo EX5. A Renault Geely do Brasil confirmou um investimento adicional de R$ 2 bilhões na fábrica, elevando o aporte total para R$ 5,8 bilhões.

A empresa ainda não revelou oficialmente qual será o novo modelo, mas informações apuradas pelo setor indicam que o SUV cupê ocupará uma posição acima do Boreal na linha brasileira.
Arkana deve usar conjunto híbrido plug-in flex
O novo SUV deverá aproveitar o conjunto híbrido plug-in do Geely EX5 EM-i, mas com uma adaptação importante para o mercado brasileiro: a tecnologia flex.
O sistema combina um motor 1.5 a combustão, que atua principalmente como gerador, com motores elétricos. No EX5 EM-i, o conjunto entrega 262 cv e 38,7 kgfm.
O futuro Renault também poderá utilizar baterias LFP de 18,4 kWh ou 29,8 kWh, além dos modos de condução Electric, Hybrid e Sport.
A Renault deve adaptar o conjunto para funcionar com gasolina e etanol, podendo obter um pequeno ganho de desempenho com o combustível brasileiro.
Novo modelo terá identidade própria
Apesar de utilizar uma arquitetura da Geely, o futuro Arkana não deverá ser simplesmente um EX5 com outro logotipo.
A Renault promete uma identidade visual própria, seguindo a atual linguagem da marca e mantendo a proposta de um SUV cupê de perfil esportivo.
Como referência, o Geely EX5 mede 4,74 metros de comprimento, 1,91 m de largura, 1,68 m de altura e tem 2,75 m de entre-eixos. Essas dimensões colocam o futuro modelo em uma categoria próxima à do atual Arkana vendido na Europa.
Ferrari transforma 296 em máquina exclusiva para pistas
Enquanto a Renault prepara um novo produto para o mercado brasileiro, a Ferrari segue por um caminho completamente diferente.
A marca italiana apresentou a 296 GT Modificata, uma série limitada desenvolvida exclusivamente para uso em circuitos. O modelo deriva diretamente da 296 GT3 Evo, mas não precisa seguir as limitações impostas pelo regulamento da categoria GT3.

A produção será limitada e destinada a clientes selecionados do programa Club Competizioni GT. O projeto também funciona como sucessor da 488 GT Modificata, apresentada em 2020.
V6 entrega 730 cv e perde o sistema híbrido
A Ferrari retirou o sistema híbrido da 296 GT Modificata e manteve apenas o V6 3.0 biturbo.
O motor recebeu alterações no virabrequim, comandos, admissão, intercoolers, turbocompressores, alimentação e escapamento. Com a liberdade para trabalhar fora das regras da GT3, o conjunto entrega 730 cv e 81,6 kgfm.

A força chega exclusivamente às rodas traseiras por meio de um câmbio sequencial de seis marchas com embreagem de carbono.
A combinação também reduziu o peso. Com 1.330 kg em ordem seca, a 296 GT Modificata ficou 80 kg mais leve que a versão mais leve da 296 Speciale.
Três segundos mais rápida em Fiorano
A Ferrari também trabalhou no chassi e na aerodinâmica para transformar a 296 GT Modificata em uma máquina de pista ainda mais agressiva.
O pacote inclui splitter dianteiro maior, canards revisados, novas entradas e saídas de ar e uma asa traseira redesenhada com inspiração no hipercarro 499P.
Segundo a Ferrari, o modelo completa uma volta no circuito de Fiorano três segundos mais rápido que a 296 GT3 Evo. A marca, porém, ainda não divulgou o tempo oficial da volta.
As rodas de 18 polegadas utilizam pneus slick, enquanto a carroceria mantém grandes aberturas nos para-lamas e um capô ventilado para favorecer o desempenho em circuito.
Interior preparado para piloto e acompanhante
A cabine segue a proposta de um carro de competição. O modelo utiliza banco tipo concha, cintos próprios para pista, fibra de carbono aparente, intercomunicador, redes de proteção e comandos específicos no volante.

A Ferrari também modificou a estrutura de proteção para instalar um segundo banco. Assim, o proprietário pode levar um acompanhante ou instrutor durante as atividades no circuito.
O painel digital ainda conta com uma tela adicional dedicada à telemetria, enquanto um radar traseiro opcional alerta sobre veículos que se aproximam em alta velocidade.
Dois projetos, duas propostas
O futuro Renault Arkana e a Ferrari 296 GT Modificata mostram como a indústria pode trabalhar com objetivos completamente diferentes.
De um lado, a Renault aposta na produção nacional, na eletrificação e na tecnologia híbrida flex para ampliar sua presença no mercado brasileiro. Do outro, a Ferrari elimina compromissos com uso urbano e regulamentações de competição para criar um carro dedicado exclusivamente às pistas.
Enquanto um projeto busca combinar eficiência, praticidade e produção em escala, o outro leva desempenho e exclusividade ao limite.
