A virada histórica da mobilidade no Brasil
Em novembro de 1891, um evento marcou o início da história automobilística no Brasil: o desembarque do Peugeot Type 3 Vis-à-Vis no porto de Santos (SP). Importado da França, o modelo tornou-se o primeiro automóvel a rodar em território brasileiro. Quando chegou, o país ainda dependia de carroças, muares e das ferrovias como principais meios de transporte.
Ao aportar no cais santista, o Peugeot chamou atenção imediata. Aquela “carruagem sem cavalos” reunia curiosidade e tecnologia: um motor a gasolina de cerca de 3,5 cavalos e velocidade máxima de até 18 km/h. Isso impressionava quem estava acostumado aos transportes tradicionais da época.
Santos Dumont: mais que o pai da aviação
Esse automóvel tinha um dono muito especial: Alberto Santos Dumont, então com apenas 18 anos. Embora hoje o mundo reconheça seus feitos na aviação, ele também trouxe o primeiro carro ao Brasil. Movido por sua paixão por tecnologia e inovação, marcou seu nome na história muito além dos céus.

Santos Dumont comprou o Peugeot diretamente na França durante uma viagem com a família e enviou o veículo ao Brasil pela chamada Rota de Ouro e Prata. O carro tinha capacidade para até quatro ocupantes e era equipado com um sistema de direção que usava alavancas, não volante.
Apesar desse marco pioneiro, o primeiro carro oficialmente registrado com placa no Brasil só ocorreu mais tarde, em 1903, quando o empresário Francisco Matarazzo obteve a placa P-1 para outro veículo em São Paulo.
O legado desse momento
A chegada do Peugeot Type 3 não foi apenas uma curiosidade: foi o início da cultura automotiva no Brasil. Ele abriu espaço para que a sociedade começasse a imaginar um futuro movido a motores e rodas. Um futuro que hoje representa milhões de carros circulando nas ruas do país.

Santos Dumont, assim, ocupa um lugar importante não apenas na história da aviação, mas também na história dos automóveis no Brasil, tendo contribuído de forma direta para a introdução dessa tecnologia no fim do século XIX.
