O setor automotivo vive um momento curioso. Temos novas marcas e tecnologias que chegam ao mercado com propostas futuristas. Por outro lado, disputas judiciais e suspeitas de fraude expõem fragilidades do sistema tradicional de vendas e financiamento de veículos.
De um lado, a chinesa Changan estreia no Brasil com o SUV elétrico de luxo Avatr 11. Do outro, a Stellantis enfrenta uma acusação envolvendo uma concessionária que teria usado o mesmo carro como garantia para vários empréstimos.
Avatr 11 inaugura nova fase da Changan no Brasil
A chegada do Avatr 11 marca oficialmente o retorno da Changan ao mercado brasileiro em parceria com o grupo Caoa. O modelo inaugura a operação da marca Avatr no país e chega posicionado no segmento premium de veículos elétricos.
O SUV cupê elétrico será vendido no Brasil por valores entre R$ 599.990 e R$ 619.990, mirando diretamente concorrentes de luxo eletrificados. A estratégia da marca é disputar espaço com modelos de fabricantes tradicionais europeus e com a nova geração de elétricos chineses que vêm ganhando destaque no mercado.
Em termos técnicos, o Avatr 11 aposta em números impressionantes. O modelo pode utilizar dois motores elétricos que, juntos, entregam cerca de 578 cv de potência, com tração integral e aceleração de 0 a 100 km/h em menos de 4 segundos.

Outro destaque é a autonomia. Dependendo da versão, o SUV pode ultrapassar 680 km com uma única carga, graças a baterias de até 116 kWh e arquitetura elétrica de alta tensão que permite recargas rápidas.
Além do desempenho, o modelo aposta em tecnologia embarcada. O sistema integra softwares e componentes desenvolvidos com apoio da Huawei, logo, oferecendo recursos avançados de conectividade, assistência ao motorista e condução inteligente.
Com design futurista, interior altamente digitalizado e proposta voltada ao luxo tecnológico, o Avatr 11 simboliza a nova fase da ofensiva chinesa no mercado global de veículos elétricos.
Stellantis acusa concessionária de aplicar “golpe do estoque”
Enquanto novas marcas chegam ao país, um caso envolvendo a Stellantis mostra como o sistema de financiamento de veículos pode ser vulnerável a fraudes.
A montadora acusa a concessionária norte-americana Sky Auto Mall de usar o mesmo conjunto de carros como garantia para obter vários empréstimos com diferentes credores, prática conhecida no setor como “double flooring”.
Esse tipo de financiamento, chamado de financiamento de inventário, é comum no setor automotivo: bancos ou instituições liberam recursos para que concessionárias comprem veículos e mantenham estoque para venda. O problema, segundo a Stellantis, é que a loja teria utilizado os mesmos carros como garantia para mais de um empréstimo.

De acordo com o processo, alguns veículos já estariam inclusive vendidos quando novos financiamentos foram solicitados, o que agravaria as suspeitas de fraude. A montadora também afirma que carros eram transferidos entre unidades da concessionária para dificultar o rastreamento das garantias.
O prejuízo potencial é alto. Estimativas apontam que a soma das operações envolvidas pode ultrapassar US$ 20 milhões (mais de R$ 100 milhões).
A Stellantis busca na Justiça recuperar valores, logo, cobrar indenizações e obter autorização para apreender veículos, peças e equipamentos ligados ao contrato de financiamento.
Um mercado entre inovação e riscos
Os dois casos ilustram lados opostos da indústria automotiva atual.
De um lado, fabricantes investem bilhões em eletrificação, inteligência artificial e novos modelos de negócios para conquistar consumidores. Do outro, o próprio ecossistema de vendas e financiamento ainda enfrenta desafios de transparência e controle.
Enquanto SUVs elétricos de luxo como o Avatr 11 simbolizam o futuro da mobilidade, episódios como o chamado “golpe do estoque” lembram que o setor automotivo também precisa evoluir em governança e segurança financeira.
